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repórter colaborador da Folha de São Paulo, passou pelo Estadão, UOL e Editora Globo. Escreveu para a Carta Capital e editora Trip. Foi curador do Atelier Amarelo. Estudou e viveu um ano e meio em Londres. É formado pela Unesp

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Quinta-feira , 22 de Outubro de 2009
Reforma religiosa versão século 21 e gay
Nesta semana o Vaticano anunciou a maior reacomodação da Cristandade nos últimos 400 anos. Bento 16 abriu as portas da Igreja Católica aos "infiéis" anglicanos, na maior aproximação vista desde 1534, quando o rei inglês
Henrique 8 resolveu criar uma igreja só para si para que pudesse se divorciar e casar mais uma vez - algo proibido até hoje entre os católicos romanos.
 
Como se vê, o sexo, mais uma vez, move a Reforma Religiosa. A oferta do Vaticano para absorver os anglicanos (que vão poder manter seus costumes com a única diferença que seu chefe não será mais a rainha britânica e sim o papa) tem a ver com a crise que vive a Igreja da Inglaterra.
 
 
Os anglicanos estão divididos desde que o sacerdócio foi aberto às mulheres em 1994. Desde 2008, elas também podem ser bispas. Para horrorizar ainda mais os conservadores, a versão americana da Igreja passou a ordenar padres abertamente gays nos últimos tempos.
 
Segundo reportagem do Times, cerca de 400 mil anglicanos (algumas dioceses inteiras) devem se abrigar sob o guarda-chuva católico, onde mulheres e gays (ao menos oficialmente) não podem nem pensar em ser qualquer coisa importante na "Santa Madre Igreja".
 
E o "sexo" também está movendo uma Reforma dentro da Igreja Luterana, que nos Estados Unidos está se dividindo entre as comunidades que aceitam a ordenação de pastores abertamente gays e as que rechaçam a ideia, como mostra a Economist.
 
Na Suécia, a Igreja Luterana foi além: nesta quinta (22), os bispos protestantes aprovaram o casamento gay com benção religiosa, como mostra a France Presse. Obviamente, uma parte dos suecos se opõe à ideia. Só falta o Vaticano abrir também o guarda-chuva para os seguidores de Martinho Lutero, que iniciou a Reforma Protestante em 1517 justamente contra a hiprocrisia da Igreja de Roma. Sinais dos tempos...
Por: Maurício Moraes