"Yes, we cam". Foi usando emprestado o lema de Barack Obama que o tablóide londrino "The Sun" anunciou na última semana o apoio ao líder conservador David Cameron. O entusiasmo do jornal, que por anos apoiou os rivais trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown, é o mesmo de boa parte da população. Também é uma mostra de que só uma catastrofe vai impedir que Cameron se transforme no próximo primeiro-ministro britânico.
Depois dos tempos da "Cool Britain", os primeiros anos mágicos da gestão Blair, no fim da década de 90 e início da atual, o Reino Unido voltou ao limbo. Blair embarcou na Guerra ao Terror do americano George W. Bush e deixou a bomba a ser desarmada por seu sucessor, Brown. O atual primeiro-ministro até que tentou retomar o sucesso do partido Trabalhista, teve até algum protagonismo durante o baque da crise econômica no último ano, mas não conseguiu ganhar a empatia dos britânicos, que vivem tempos de dinheiro curto.

Brown é fechado, sistemático, sem nenhum carisma. Cameron, por outro lado, é jovem, bonito, pop e um dos responsáveis pela cara moderna dos conservadores. Vai pedalando às sessões do Parlamento, é ativista verde e passou a defender os direitos gays (antes era contra). E, o mais importante, parece ser o homem certo para colocar o Reino Unido novamente nos tempos bacanas da Cool Britain. Qualquer semelhança com o rival Tony Blair é mera coincidência?
Ironicamente, ao eleger um conservador como próximo primeiro-ministro, os britânicos dão um sinal de que estão com saudades de um trabalhista - Blair... Eles não admitem, mas terão oportunidade para dar mais um voto de confiança ao ex-chefe de governo - Tony Blair é o candidato mais forte para se tornar o presidente da União Europeia, assim que o Tratado de Lisboa entrar em vigor. Isso se Cameron deixar... O líder dos conservadores é um dos principais opositores do conjunto de mudanças que vai deixar a União Europeia em estágio 2.0