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repórter colaborador da Folha de São Paulo, passou pelo Estadão, UOL e Editora Globo. Escreveu para a Carta Capital e editora Trip. Foi curador do Atelier Amarelo. Estudou e viveu um ano e meio em Londres. É formado pela Unesp

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Sexta-feira , 18 de Setembro de 2009
Urbanismo malufista de Serra é vanguarda do atraso

O governador José Serra teve um ataque de caipirice e resolveu fazer a mais nova e grandiosa obra da cidade - a Nova Marginal, de estilo urbanismo malufista, um tipo arquitetônico e estético muito difundido na cidade de São Paulo. Um dos vários exemplos dessa escola vanguardista do urbanismo brasileiro é o belo minhocão (Elevado Artur da Cosa e Silva - aff!), que liga as zonas leste e oeste da capital.

Serra vai cortar algumas não seis quantas mil árvores. O número não é lá muito alto, mas a questão não é quantas árvores vão morrer, mas quantas outras poderiam nascer no espaço que vai sumir sob o asfalto e o trânsito pesado das três novas pistas da Nova Marginal (isso sem falar da impermeabilização do solo, que causa enchentes - veja foto). Engraçado é que até agora a "maior obra viária do país" era o Rodoanel, planejado supostamente para diminuir o trânsito nas marginais... (hum...). 

A questão principal nem são as árvores em si. As poucas que tentam vingar naquele ambiente inóspito rodeado de barulho, ar sujo e rio fedorento serviriam, ao menos, para esconder a feiúra da cidade. Quem anda pelo Tietê percebeu a vista linnnda que se tem... É de chorar.... Deixassem as pobres árvores crescerem nem que fosse como desculpa estética...

O projeto da Nova Marginal é de um conservadorismo caipira - o governador está parecendo mais um prefeito de Araçoiaba da Serra do que um acadêmico que foi ministro e quer ser presidente da República. Serra não percebe que a cidade não tem mais espaço para carros? Simples assim... A vaca não dá mais leite, a fonte secou...

São Paulo precisa de uma política de circulação sob todos os aspectos. Mas só faz política viária, para dar mais pistas aos carros.  É irônico porque a propaganda diz: "É para SP não parar"... ora, ora.... Há quanto tempo SP parou? Eles não perceberam? Já não ficaram presos por no mínimo duas horas num congestionamento qualquer?

Se quer investir dinheiro nos domínios de seu compadre Gilberto Kassab, o governador paulista bem poderia financiar outras políticas de circulação na cidade. Como eles querem que a pessoa largue o carro, pegue o transporte público e ande? Além do ônibus e do metrô cheio, o cidadão tem de enfrentar calçadas esburacadas e horrorosas, sem nenhum padrão, motoristas mal educados que passam em cima do pedestre que atravessa a faixa. É só fazendo com que a pessoa ache agradável andar nas calçadas e aprecie a cidade que se convence ela a usar mais o transporte público e fazer sua vida menos árdua e caótica.

Aí vem Dona Soninha, vereadora licenciada e subprefeita da Lapa, que sempre falou de sustentabilidade, defender seu novo chefe soltando a seguinte lorota:

"E o plantio [das árvores de reposição] será nas 8 Subprfeituras que dão "frente" para a Marginal. Cada uma receberá cerca de 10 mil árvores - e é até difícil achar área pública para tanta árvore". Claro né, Soninha. É a mesma política de abrir pista onde não tem espaço e enfiar coisa onde não cabe.

A dupla demotucana poderia pensar em políticas modernas como a de Seul, na Coreia do Sul (foto), que implodiu sua marginal para resgatar o rio (o Brasil não é um poderoso BRIC agora..??). Mas Serra-Kassab mantêm a tradição do velho estilo urbanistico malufista, que muda o curso dos rios, canaliza córregos, constrói um viaduto sobre uma avenida tradicional e causa uma infecção urbanística no entorno... Pois é, meu caros... Eis a vanguarda do atraso.

Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 17 de Setembro de 2009
Livro de Chirac é embargado por causa do cigarro

A histeria anti-tabagista chegou a tal ponto que a publicação da biografia de Jacques Chirac foi adiada porque o ex-presidente francês aparecia, todo charmoso, segurando um cigarro na capa do livro.

A foto em questão foi tirada em 1980, mas sofreu objeção de assessores do político francês. Naqueles anos, sobretudo nos anteriores, não havia nenhum demérito em portar um cigarro ou fumar em público - pelo contrário, era até algo chique. O blog aqui não faz apologia ao fumo, mas a patrulha anti-tabagista exagerou e está dando inveja a Joseph McCarthy, que desencadeou uma caça às bruxas aos esquerdistas americanos no anos 1940 e 1950. Ah se o Serra se inspira nessa última história...

Outra vítima francesa é o ator Alain Delon, cuja cigarro lhe foi retirado dos dedos numa publicidade da Dior, que usa uma foto do galã nos anos 1960, fumando, obviamente.

Charles Bremer, em seu blog no Times, conta que "o bon vivant Chirac, 76, parou de aparecer em público com cigarros em 1988 e fez da pesquisa de câncer uma de suas prioridades. Sua presidência acabou com o fumo em lugares públicos. Nicolas Sarkozy, seu sucessor, fuma em ambientes privados e degusta, diariamente, um charuto cubano no Palácio do Eliseu - mas nunca toca álcool".

Bem, quanto ao ponto alcoólico há controvérsias, tanto que um dos vídeos mais vistos de Sarkozy no Youtube é justamente aquele em que ele aparece supostamente bêbado numa coletiva de imprensa do G8. Segue o vídeo, como aperitivo:

 

Por: Maurício Moraes