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repórter colaborador da Folha de São Paulo, passou pelo Estadão, UOL e Editora Globo. Escreveu para a Carta Capital e editora Trip. Foi curador do Atelier Amarelo. Estudou e viveu um ano e meio em Londres. É formado pela Unesp

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Sexta-feira , 04 de Setembro de 2009
E o SUS virou modelo para Obama e os EUA...

E não é que o SUS virou modelo para Barack Obama na sua batalha para reformar o sistema de Saúde nos EUA... Pelo menos é o que diz o artigo "Brazil´s Public Option" (A Opção Pública do Brasil), da Foreign Policy.

Filas, hospitais sucateados, falta de estrutura. É essa a imagem que temos do Sistema Único de Saúde no país. Mas o SUS tem lá seus méritos: transplantes de órgãos complexos, medicamentos caros, coquetel contra o HIV. O SUS é a cara do Brasil - tem atendimento de Bélgica e tem tratamento de Índia, a eficiência e o caos.

E é um sistema universal, baseado na ideia de que todo cidadão tem direito à saúde, justamente o conceito que Obama quer aplicar nos EUA, onde atendimento médico é só mais um negócio, desses que os americanos são experts em fazer virar sucesso e produzir dinheiro. Ocorre que os tempos são bicudos e uma grande parcela dos americanos não tem condições de pagar um plano de saúde. E para eles não resta nem um posto cheio do SUS, sequer um médico de família. Por isso Obama vem sendo "xingado" de "socialista" (nos EUA é quase um crime). Veja a charge que rolou na web >>

A Foreign Policy destaca os altos e baixos do SUS. Conta que até a Constituição de 1988, trabalhadores e camponeses sem CLT tinham de se virar como podiam quando ficavam doentes. Hoje essas pessoas têm, ao menos em tese, acesso a médicos e hospitais. Também mostra que o sistema de universalização acabou se distorcendo e criando um outro tipo de desigualdade, já que a classe média tem seu plano de saúde e só se lembra do SUS quando precisa de procedimentos complexos e caros.

"A medida que o presidente Obama luta para aprovar a reforma da Saúde nas próximas semanas, ele deveria examinar de perto o louvável sucesso - e as falhas preocupantes - do sistema universal de saúde de décadas da segunda maior democracia da região, que trouxe melhoras reais aos pobres no acesso à saúde, e foi feito no meio de quebradeiras financeiras, infraestrutura em declínio, ineficiência governamental e, agora, não consegue derrubar a desigualdade no acesso à saúde. O caso do Brasil ilustra que se a opção for saúde pública, é preciso estar comprometido a sustentar a criação", diz a revista.

Agora só falta o Lula diz que depois de emprestar dinheiro ao FMI vai agora exportar o SUS para os EUA...

Por: Maurício Moraes
Terça-feira , 01 de Setembro de 2009
O plano Marshall do Brasil para o Paraguai

Representantes do Paraguai e do Brasil assinaram nesta terça-feira (1) o documento que permite ao país vizinho receber mais pela energia produzida em Itaipu. A "nota reversal" aumenta de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões o valor que o Paraguai recebe do Brasil por sua parte na usina binacional.

Ponto para Fernando Lugo, que fez da renegociação do Tratado de Itaipu (firmado em 1973 pela ditadura dos dois países) sua maior bandeira de campanha. O acordo foi selado em 25 de julho, por Lula e o presidente paraguaio. O país vizinho ainda ganha de presente uma linha de transmissão de energia de US$ 450 milhões. Várias outras obras, como o financiamento de fábricas e construção de estradas e pontes, estão no plano das boas vontades. Tanto que a ajuda é chamada, nos bastidores, de o "Plano Marshall do Paraguai".

O apelido faz referências ao plano e à dinheirama americana que reconstruiu a Europa, sobretudo Itália e Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ou vocês acham que os Estados Unidos viraram a potência n. 1 do Ocidente de graça?

O saco de bondades do Brasil é para o presidente paraguaio a principal garantia de que ele irá terminar seu mandato de cinco anos. Escolhido numa eleição história, que quebrou 61 anos de hegemonia dos caudilhos colorados, Lugo se apresentou com o salvador da pátria - tudo ia bem até a começarem a aparecer os filhos do ex-bispo, um escândalo num país de tradição rural e católica.

Os presentinhos brasileiros ao país vizinho levantaram muita polêmica por aqui. Mas a estratégia é inteligente: (1) O Brasil tem, sim, uma dívida histórica com o Paraguai. O maluco do Solano Lopez invadiu nosso território, mas o revide foi sangrento e feio e o Paraguai nunca mais se reergueu; (2) Não interessa, como disse Lula, ter um vizinho pobre. Portanto, a melhor forma de diminuir os problemas "policiais" na fronteira entre os dois países é, sim, desenvolvendo o Paraguai; e (3) Garantir o Lugo no poder é mantê-lo sob as asas do Brasil. Se o país não acenasse com alguma coisa, os paraguaios iam se bandear com Hugo Chávez aumentando a confusão.

E isso é só o começo... Se o Brasil quiser mesmo ser líder na América do Sul vai ter, sim, de abrir o bolso.

(Foto: Jorge Adorno, Reuters)

Por: Maurício Moraes