Apesar do clima gelado de Bariloche, na Argentina, a reunião dos presidentes dos 12 países da Unasul (União das Nações Sul-americanas) foi quente. Como já se esperava, o venezuelano Hugo Chávez atacou o colombiano Álvaro Uribe, que urrou e se defendeu das pancadas, no que foi nocauteado pelo boliviano Evo Morales para depois receber outra do equatoriano Rafael Correa. Lula e Cristina Kirchner, da Argentina, ajudaram a dar o golpe de misericórdia - embora adotando a estratégia "morde e assopra". Tudo para discutir a instalação de sete bases americanas na Colômbia.
O falatório foi longe e, como também se esperava, não deu em nada... Uribe vai assinar o acordo das sete bases com os Estados Unidos, vai seguir dizendo que é para combater o narcotráfico. Já Chávez vai continuar fazendo suas ameaças pitorescas. E isso ainda vai durar muuuuuito tempo - Chávez tem reeleição ilimitada e Uribe está prestes a conseguir mais uma reeleição.

Na reunião, Cristina chegou a propor, novamente, um encontro da Unasul com Barack Obama. O presidente americano até foi convidado por Lula, mas nem deu bola... preferiu aproveitar as férias com a família numa casa de luxo na ilha de Martha´s Vineyard, na costa leste dos Estados Unidos.
Apesar de todo esse barulho estar na conta dos americanos, os jornais de lá não deram a mínima para o falatório em Bariloche. O New York Times não enviou correspondente. E o pior - durante todo o dia, a reunião que os sul-americanos julgaram da maior importância sequer uma notinha mereceu na seção de notícias internacionais do jornal. O mesmo ocorreu no Washington Post, que também ignorou o encontro. Pequena exceção para o The Wall Street Journal, que deu uma chamadinha pequena, lá no fim da página... Eu não esperava grande coisa, mas confesso que essa foi surpreendente...
A ausência da reunião da Unasul na imprensa americana é revelador de quanto o assunto vale para os americanos: nada! Se nem a imprensa deu atenção, imagine então os funcionários da Casa Branca...
Quem diria... A gigante e antes toda poderosa indústria do cinema dos Estados Unidos, concentrada em Hollywood, na Califórnia, antes pouco se lixava para os plágios baratos e descaradados dos produtores indianos. Até o nome como ficou conhecida a indústria cinematográfica da Índia é uma cópia dos americanos - Bollywood. Mas, em tempos de crise econômica e de potências emergentes, os americanos resolveram agora passar a fatura e também lucrar com os antigos primos pobres.

Reportagem do diário americano The Washington Post conta que, na semana passada, a 20th Century Fox recebeu uma indenização de US$ 200 mil de um produtor indiano, processado pelos americanos por copiar a comédia "Meu primo Viny" (1992). No começo deste ano, foi a vez da Warner Bros divulgar na imprensa indiana que produtores de Bollywood estavam planejando plagiar "O curioso caso de Benjamin Button" (2009).
Mas Bollywood não causa só prejuízo: de olho no sucesso dos filmes indianos, a Disney investiu este ano cerca de US$ 200 milhões numa das principais produtoras indianas, a UTV. Os tempos são outros...