Jornalista
repórter colaborador da Folha de São Paulo, passou pelo Estadão, UOL e Editora Globo. Escreveu para a Carta Capital e editora Trip. Foi curador do Atelier Amarelo. Estudou e viveu um ano e meio em Londres. É formado pela Unesp

Twitter me siga no Twitter
 

 

Blog
de notícias internacionais e
mundanas, sobre política exterior, conchavos, conspirações,
exotismos e outros ismos

 

Circuito
economist
el país
guardian
new york times
the times
bbc brasil
la nación
perfil
libération
der spiegel (english)
folha de s. paulo
estadão
o globo
ultima hora
el espectador
financial times

 

Pretérito

 

E-mail nhomoraes@uol.com.br
RSS RSS
Blog no celular leia o blog no celular
Adicionar indique este blog
 

 

Sexta-feira , 27 de Novembro de 2009
Santa Piedad Córdoda com Bolívar nos braços
A "virgem Maria" aí do lado vem da Colômbia. Chama-se "Santa Piedad". No colo não está Jesus, como na Pietá, de Michelângelo, na qual a imagem se inspirou. O cara deitado ali é Simon Bolivar, o herói da independência dos colombianos e dos... venezuelanos. (a ver que o projeto maior de Hugo Chávez é o bolivarianismo). A santa em questão é Piedad Córdoba, a polêmica senadora colombiana que negocia a paz com as Farc e tem ligações com o chavismo. E a imagem, pasmem!, é o novo papel de parede de seu site oficial.
 
Piedad, para apresentações, é uma das vozes mais estridentes contra a política irredutível de Álvaro Uribe, de não negociar com a guerrilha a libertação de centenas de reféns. A repressão dura do governo tem enfraquecido as Farc, mas muitas pessoas continuam na floresta - são centenas de dramas. Piedad tem apoio justamente desta parcela da população, castigada há muito tempo com a agressividade da guerrilha.
 
A estreita amizade de Piedad com Chávez, que volta e meia fala de guerra com a Colômbia e não perde oportunidade para xingar Uribe, faz a senadora ser odiada por outra parte dos colombianos. Apesar de todos seus méritos de negociadora (negociou a libertação de Clara Rojas e Ingrid Bettancourt), posar de santa soa um pouco cômico, tragicômico, como quase tudo na América Latina.
 
"Santa Piedad" é coisa de livro de Gabriel García Marquez, onde as coisas mais cotidianamente malucas acontecem. Na Colômbia onde borboletas amarelas invadam uma cidade e até uma santa política pode aparecer. No Realismo Fantástico atual, a Colômbia negocia sete bases com os colombianos, tem um vizinho falando de guerra, tem um presidente que acabou de dar um golpezinho institucional para se perpetuar no poder e temos Piedad...
 
E o design...?? bem... fica aqui o layout (e os seus comentários). E estas luzes de balada...? aff
Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 26 de Novembro de 2009
Depois dos Brics, as Civetas

Civeta é um mamífero corredor, um bicho espertinho lá da Ásia. Nossa gloriosa Wikipedia traz mais detalhes sobre o animal, uma espécie de viverrídeo. Mas as Civetas que podemos ouvir falar em breve são outras. Depois do banco Goldman Sachs criar o termo BRIC (Brasil, Rússia, India and China), a Economist diz que há em algum forno por aí a CIVETA, para designar economias ligeirinhas, emergentes e com poder econômico, no caso Colômbia, Indonésia, Vietnã, Egito, Turquia e África do Sul.

Trata-se ainda de uma "premonição", do avatar dos economistas do mundo. Mas em tempos de gripe suína, crise econômica, mesmo que você seja um Bric, uma Civeta, um G20 ou um G8, corre o risco de pegar uma VUCA. Quer dizer, essa economia sofre de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Ufa...

Mas como tudo que é sólido se desmancha no ar, o BRIC (tijolo, em inglês) pode virar BICI - é que a Rússia, toda esculhambada pela crise, pode repetir de ano e dar o lugar à ligeirinha Indonésia (o economista Jim O'Neill, pais dos Brics, negou isso mês passado em SP...). Mesmo assim, fica uma pergunta: um BICI também pode ser uma CIVETA?

 

Por Joseph Smit

Por: Maurício Moraes
Segunda-feira , 16 de Novembro de 2009
Vaidade é marca registrada de Cristina Kirchner

Para o R7

Durante sua campanha à Presidência em 2007, uma das principais promessas de Cristina Kirchner era fazer a Argentina voltar a ter destaque no mundo.  O país tinha ficado isolado pela crise de 2001 e pelo calote dado por seu marido e antecessor, Néstor Kirchner.

No entanto, nestes dois anos de governo quem ganhou destaque foi a própria Cristina e em grande parte graças a seu guarda-roupa, repleto de vestidos brilhantes, coloridos, com babados, que ficam a distância dos terninhos convencionais e em tons pasteis de outras mulheres poderosas na política, como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ou a presidente do Chile, Michelle Bachelet.

Em sua última viagem, ao Chile, Cristina usou três vestimentas diferentes ao longo de um só dia, um para cada compromisso. A presidente tem horror a repetir roupas e detesta ser fotografada sem maquiagem.

Tanta preocupação com a aparência e a roupa fizeram Cristina ser a estrela do blog argentino Te lo juro por Louis Vuitton, da jornalista Miranda Dress. Num dos posts ela comenta:

- Cristina não perde o costume de fazer várias trocas de roupas por dia [em eventos internacionais] como se fosse uma estrela do cinema. Outras mulheres nas altas esferas como Michelle Bachelet, Angela Merkel ou Hillary Clinton passam o dia com o mesmo vestuário, ainda que se troquem, é claro, para as recepções noturnas.



Pintada como uma porta

A vaidade de Cristina virou folclore e até piada na Argentina. E a fama da presidente ultrapassou fronteiras: em março deste ano o jornal britânico The Guardian a colocou na lista do “Bling Bling”, com os dez mais chefes de Estado mais na moda e bem produzidos do mundo. 

Ao falar sobre Cristina, o jornal publicou que apesar de ser “conhecida como a ‘rainha do botox’, ela nega ter feito cirurgias plásticas, mas admite pintar-se como se fosse uma porta”.

Para o editor de moda Jorge Wakabara, do portal de Lilian Pacce, mulheres na política acabam sofrendo muita pressão pela forma como se vestem:

- As pessoas pegam muito no pé. Só porque é presidente não pode usar salto alto? Tem de ficar toda masculinizada como a Angela Merkel? Tem gente que gosta de gastar seu tempo fazendo palavra-cruzada, já outros preferem ir para o cabeleireiro.

Wakabara diz que a forma de se vestir “definitivamente tem implicações políticas. As pessoas acham que estar bem arrumada passa uma impressão de futilidade”.

Cargos formais pedem estilos formais

São poucos os presidentes (homens e mulheres) que conseguem imprimir um estilo pessoal na forma de se vestir num universo extremamente formal como a política.

Aos homens, com seus ternos básicos, não resta muito senão ousar nas gravatas. Já para as mulheres a tarefa é mais difícil, afirma Milene Chaves, a editora de moda do portal Chic:

- A Cristina é bastante colorida e geralmente presidentes e primeiras-damas são muito caretas. Pelo cargo que ocupam, eles precisam estar um tom acima no que diz respeito à formalidade.

Milene lembra que primeiras-damas podem ousar um pouco mais. Mas no caso da presidente, “qualquer escorregão vira notícia”.

Em um encontro internacional, brilho demais pode ofuscar o assunto discutido e até causar embaraço à outra autoridade, menos vaidosa.

No caso das mulheres, talvez por uma herança machista, a forma de se vestir é lembrada rapidamente quando se trata de fazer críticas políticas. Os inimigos de Cristina adoram mostrá-la como uma mulher fútil que só pensa na aparência e nos seus vestidos. Do outro lado da fronteira, na República Argentina, a presidente é chamada por muitos de “Rainha Cristina”, só que sem nenhuma reverência.

Por: Maurício Moraes
Terça-feira , 10 de Novembro de 2009
Brasil ganha terreno na diplomacia do Oriente Médio

O Brasil pode estar "ganhando terreno" na diplomacia do Oriente Médio, segundo artigo do jornal Haaretz, o principal de Israel. No mesmo mês em que Brasília recebe a visita do presidente Shimon Peres, pode chegar à capital na próxima semana o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e em 13 dias será a vez do polêmico líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Segundo o jornal, "durante os sete anos em que ficou no poder, Lula armou um grande leque de relações ao redor do mundo - dos irmãos Castro em Cuba ao ex-presidnete americano George W. Bush até Ahmadinejad - e os analistas dizem que ele está se tornando um jogador importante nos esforços diplomáticos de Israel".

O jornal ouve o analista Ray Walser, do Heritage Foundation em Washington, dizendo que "esta é talvez a chance do Brasil exercer um papel no processo de paz do Oriente Médio e demonstrar grande lucidez e envolvimento numa das questões mais críticas para a paz mundial".

O Haaretz lembra que o Brasil se tornou uma potência econômica nos últimos anos e o porta-voz dos países pobres no G20, além de ser uma liderança moderada da esquerda latino-americana.

Segundo o artigo, Ahmadinejad e o Irã ganham credibilidade visitando o Brasil, que é o que Israel tenta evitar. A reportagem cita as crescentes relações do governo de Teerã com a Bolívia de Evo Morales e a Venezuela de Hugo Chávez.

Manter uma boa relação com o Brasil, pelo visto, é algum peso no instável equilíbrio diplomático que Israel tenta administrar. Será?

Por: Maurício Moraes
Segunda-feira , 09 de Novembro de 2009
O cearense e comunista Karleno Márciou foi estudar na Alemanha Oriental e viu o Muro de Berlim ruir

O nome "Karleno" é uma homenagem adaptada ao filósofo Karl Marx

Para o R7

O nome Karleno Márcio Bocarro foi uma "adaptação" que o pai deste cearense de 44 anos fez para homenagear seu ídolo - o filósofo alemão Karl Marx, que deu a linha para o comunismo e um dia disse que "tudo que é sólido se desmancha no ar". O pai de Karleno era do Partido Comunista em tempos que ser do "partidão" dava até cadeia no Brasil. O mundo da época pendia ou para os Estados Unidos (capitalista) ou para a União Soviética (socialista) e a fronteira era o Muro de Berlim, que dividia a Alemanha, a sua cidade capital e o mundo em duas partes.

Com 24 anos, seis deles vividos na pequena Brejo, no interior do Maranhão, Karleno inventou de estudar na Alemanha oriental comunista e de tanto tentar conseguiu uma bolsa de mestrado. Foi estudar primeiro em Leipzig, uma cidade industrial cinzenta onde desembarcou em agosto de 1989.

 

Naqueles dias, grupos de oração da Igreja Protestante começaram a ir para as ruas da cidade pedir mais abertura ao regime comunista, que os proibia de viajar e os isolava do mundo ocidental. O movimento se alastrou e chegou à Berlim, segundo os rumores que Karleno ouvia - a imprensa do regime de ferro censurava a informação. Karleno nunca poderia imaginar que dali a 11 semanas a sólida fronteira de concreto que dividia o mundo e as famílias alemãs fosse cair, se desmanchar no ar.

Em 9 de novembro de 2009, um funcionário do governo da Alemanha oriental deu uma informação equivocada numa entrevista com jornalistas. Ao anunciar que o regime comunista iria abrir as fronteiras para que os alemães dos dois lados se visitassem, disse que a fronteira já estava aberta. Em poucas horas uma multidão foi para o muro no centro de Berlim, no Portão de Brandemburgo, e os guardas sem saber o que fazer nem a quem telefonar (ainda não existiam celulares) deixaram a multidão passar, sem nenhum tiro.

Sem que as pessoas esperassem, o "muro da vergonha" caiu como pedra de dominó. Arrastou junto o sistema comunista, embaralhando o jogo de poder do mundo. Karleno viu tudo de perto. Sete anos depois voltou ao Brasil com um doutorado de outro país, a Alemanha capitalista e unificada. Sem querer, virou testemunha de uma das maiores transformações recentes. O então garoto de Brejo viu um capítulo se fechar e outro se abrir na história do mundo. E ele nem falava alemão nos primeiros dias...

Veja entrevista aqui.

Por: Maurício Moraes
Quarta-feira , 28 de Outubro de 2009
Néstor Kirchner 2011 - alguém duvidava?

Pois Kirchner, o Néstor, quer voltar à Presidência argentina. Na verdade, nunca deixou o poder, assim como nunca deixou Cristina, a Kirchner, e nem nunca saiu da Quinta de Olivos, a residência presidencial, onde vive desde 2003.

Olha só o cartaz: "Ahora Néstor Kichner 2011"

 

Depois de assumir o governo com uma Argentina destroçada pela crise de 2001, Kirchner fez o país crescer 9% (o que era ok para uma economia que havia encolhido, convenhamos). Fez muita politicagem com os sindicatos, brigou com o FMI, deu calote, mas deu conta instantaneamente da bagunça instalada. Nada mal para um provinciano da Patagônia que parecia haver conquistado Buenos Aires.

Ocorre que Kirchner, o Néstor, sofreu uma derrota humilhante nas eleições legislativas em junho deste ano. O ex-presidente fez a sucessora em 2007- a própria mulher Cristina Kirchner - algo inédito no mundo mas não supreendente por se tratar da Argentina (*).

Parece que desta vez, no entanto, Kirchner vai ter dificuldades para suceder-se a si mesmo no cargo (complexo isso, não? é que os vizinhos são meio estranhos mesmo..., vide o Maradona)

Outra coisa: Quem manda na casa dos Kichner, afinal? O marido ou a mulher?

Os analistas não menosprezam Cristina, tanto porque ela era senadora e uma primeira-dama extremamente influente. Por isso mesmo a imprensa argentina os chamal de Casal K, ou Casal Presidencial. Que casamento! Cama, mesa e despacho de governo.

Isso porque as eleições ainda são em 2011.... A gente se diverte até lá!

#LaNacion

 =======

(*) Evita só não sucedeu Perón porque o câncer a matou antes, em 1952 - depois, na última presidência de Perón, foi ele quem morreu e deixou a esposa Isabelita na Casa Rosada, em 1974. Na Argentina, casamento político é negócio sério, como se vê.

Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 22 de Outubro de 2009
Reforma religiosa versão século 21 e gay
Nesta semana o Vaticano anunciou a maior reacomodação da Cristandade nos últimos 400 anos. Bento 16 abriu as portas da Igreja Católica aos "infiéis" anglicanos, na maior aproximação vista desde 1534, quando o rei inglês
Henrique 8 resolveu criar uma igreja só para si para que pudesse se divorciar e casar mais uma vez - algo proibido até hoje entre os católicos romanos.
 
Como se vê, o sexo, mais uma vez, move a Reforma Religiosa. A oferta do Vaticano para absorver os anglicanos (que vão poder manter seus costumes com a única diferença que seu chefe não será mais a rainha britânica e sim o papa) tem a ver com a crise que vive a Igreja da Inglaterra.
 
 
Os anglicanos estão divididos desde que o sacerdócio foi aberto às mulheres em 1994. Desde 2008, elas também podem ser bispas. Para horrorizar ainda mais os conservadores, a versão americana da Igreja passou a ordenar padres abertamente gays nos últimos tempos.
 
Segundo reportagem do Times, cerca de 400 mil anglicanos (algumas dioceses inteiras) devem se abrigar sob o guarda-chuva católico, onde mulheres e gays (ao menos oficialmente) não podem nem pensar em ser qualquer coisa importante na "Santa Madre Igreja".
 
E o "sexo" também está movendo uma Reforma dentro da Igreja Luterana, que nos Estados Unidos está se dividindo entre as comunidades que aceitam a ordenação de pastores abertamente gays e as que rechaçam a ideia, como mostra a Economist.
 
Na Suécia, a Igreja Luterana foi além: nesta quinta (22), os bispos protestantes aprovaram o casamento gay com benção religiosa, como mostra a France Presse. Obviamente, uma parte dos suecos se opõe à ideia. Só falta o Vaticano abrir também o guarda-chuva para os seguidores de Martinho Lutero, que iniciou a Reforma Protestante em 1517 justamente contra a hiprocrisia da Igreja de Roma. Sinais dos tempos...
Por: Maurício Moraes
Domingo , 11 de Outubro de 2009
David Cameron - Yes, he "cam"

"Yes, we cam". Foi usando emprestado o lema de Barack Obama que o tablóide londrino "The Sun" anunciou na última semana o apoio ao líder conservador David Cameron. O entusiasmo do jornal, que por anos apoiou os rivais trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown, é o mesmo de boa parte da população. Também é uma mostra de que só uma catastrofe vai impedir que Cameron se transforme no próximo primeiro-ministro britânico.

Depois dos tempos da "Cool Britain", os primeiros anos mágicos da gestão Blair, no fim da década de 90 e início da atual, o Reino Unido voltou ao limbo. Blair embarcou na Guerra ao Terror do americano George W. Bush e deixou a bomba a ser desarmada por seu sucessor, Brown. O atual primeiro-ministro até que tentou retomar o sucesso do partido Trabalhista, teve até algum protagonismo durante o baque da crise econômica no último ano, mas não conseguiu ganhar a empatia dos britânicos, que vivem tempos de dinheiro curto.

Brown é fechado, sistemático, sem nenhum carisma. Cameron, por outro lado, é jovem, bonito, pop e um dos responsáveis pela cara moderna dos conservadores. Vai pedalando às sessões do Parlamento, é ativista verde e passou a defender os direitos gays (antes era contra). E, o mais importante, parece ser o homem certo para colocar o Reino Unido novamente nos tempos bacanas da Cool Britain. Qualquer semelhança com o rival Tony Blair é mera coincidência? 

Ironicamente, ao eleger um conservador como próximo primeiro-ministro, os britânicos dão um sinal de que estão com saudades de um trabalhista - Blair... Eles não admitem, mas terão oportunidade para dar mais um voto de confiança ao ex-chefe de governo - Tony Blair é o candidato mais forte para se tornar o presidente da União Europeia, assim que o Tratado de Lisboa entrar em vigor. Isso se Cameron deixar... O líder dos conservadores é um dos principais opositores do conjunto de mudanças que vai deixar a União Europeia em estágio 2.0

Por: Maurício Moraes
Sexta-feira , 02 de Outubro de 2009
Secretária de saúde faz escândalo ao ser renegada pelo marido e demitida por ele, um governador argentino

A mulher aí sentada é Sandra Mendoza. Secretária da saúde da província do Chaco, no norte da Argentina, ela foi impedida pela segurança do governador Jorge Capitanich de entrar no palácio do governo. Na quarta (30), ela tomou parte num pequeno protesto em frente à administração provincial. Foi demitida sumariamente na quinta (1), dia em que o governador também pediu o divórcio de Sandra.

Sandra é uma aguerrida política do interior argentino. Brigona, atuava como um trator nas campanhas do marido. Polêmica, era considerada mal-educada e desequilibrada por alguns. Agora a ex-secretária de Saúde do Chaco é uma mulher que chora, que se diz prestes a entrar em greve de fome se o marido continuar impedindo sua entrada no governo. Ao eterno estilo argentino, está prestes a se imolar pelo que diz ser convicção política:

- Ninguém me dá explicações. O governador disse que ia me ligar para rever a situção, mas não ligou. É uma situação anormal. Ninguém é dono da Casa de Gobierno. Não fui notificada que fui demitida -, disse a agora ex-secretária e ex-mulher de Jorge Capitanich.

O melancólico e triste fim do casamento político e da união conjugal virou notícia nacional, isso porque o enredo que envolve Sandra e Capitanich já foi tema de crônica polícial no passado. Em fevereiro deste ano, Sandra entrou em alta velocidade com sua caminhonete no estacionamento do palácio, batendo em vários carros e se chocando contra um muro. O incidente aconteceu depois de uma discussão com o marido. Sandra diz que se Capitanich chegou aonde está, foi por sua causa. Veja o vídeo.

Há mulheres muito perigosas.

Por: Maurício Moraes
Segunda-feira , 28 de Setembro de 2009
O Zelaya é o Zelão

O Zelaya é o Zelão.

Todo mundo conhece um Zelão, principalmente se for do interior. O Zelão de chapelão, tipo fazendeiro, ou o Zelão de chapelão, tipo matuto. O Zelão que se candidata a vereador, que faz as pessoas acreditarem que ele fala bonito, o homem de família! (embora sejam várias famílias às vezes). 

O Zelaya é um Zelão - ainda dá para fazer de conta que todos os zelões em espanhol são chamados de Zelaya. É como se o Zelão do Bar lá virasse el Zelaya del Bar, e assim vai. 

Com aquele chapelão, deitado na cadeira da embaixada, então. Zelão Zelaya parece que está fechando a venda do último lote de gado depois do churrasco na fazenda do cunhado.

Zelão Zelaya!

E uma saudação para dona Xiomara (foto, veja matéria), que é quem está botando ordem na casa do embaixador, enquanto acampam por lá uns 60 partidários do Zelão Zelaya.

E olha que a primeira grande enrrascada do Brasil-Bric-líder-da-América-Latina será botar ordem na casa do Zelão!

haha

Por: Maurício Moraes
Sábado , 26 de Setembro de 2009
Zelaya - a geopolítica chegou à esquina

DIÁLOGO NA BANCA DE JORNAL

- Ah... porque o Brasil tem de se meter em confusão colocando esse presidente Zelaya lá na embaixada? E esse chapelão que ele usa? Será que isso é coisa de guerra? Credo... - se lamuria uma senhora evangélica, 60 anos, numa banca de jornal na Avenida Paulista, sexta-feira, 22h, enquanto esperava condução que a levasse para casa. Ela conversava com a dona do estabelecimento, aparentemente uma conhecida, 40 anos, cabelo chanel, batom vermelho, alguma maquiagem nos olhos e camisa de seda estampada com babado.

- Tá certo isso, o Brasil precisa dar abrigo para o presidente, nós somos o país mais rico da América Latina... - reponde a dona da banca, com ar de certeza do que falava.

- Ah... - disse a senhorinha evangélica - O Brasil é mais rico, né? Mas isso não é coisa nossa, porque eles não ficam com o outro presidente que está governando? Ele é ruim??

- Não sei se ele é ruim, mas o outro foi eleito para ser presidente né? Tiraram ele do palácio de pijama, vê se pode? - falou arregalando os olhos com sombra esverdeada.

- Ah... - seguiu a senhorinha - Mas ninguém pode ajudar o Brasil? Os Estados Unidos não podem ajudar?

- Hum... - parou para pensar a dona da banca - É que os Estados Unidos estão muito longe, eles ficam em outro continente! - disse com uma certeza titubeante.

- Eles ficam no Canadá, né não? - perguntou a outra, com a primeira limitando-se a fazer um trejeito de afirmação na cara. - E a Argentina? Não pode ajudar o Brasil?

 -A Argentina? Ah... coitada da Argentina. A Argentina não aguenta nem com ela? - disse a dona da banca, aí já com alguma segurança do que dizia.

- Mas eu pensei que eles eram ricos. Aquela presidente é tão chique. Como é que ela chama mesmo? - disse a velhinha.

- É a Cristina, aquela ladrona, com o bando dela. A Argentina agora é pobre - falou com certo ar emergente a mulher da camisa de babado.

- Ai Jesus, mas ninguém pode ajudar no Brasil nessa história lá em Honduras? Não tem outro país que pode ajudar? O Uruguai não pode?

Nesse momento um outro senhor que estava na banca disse: - O Uruguai é muito pequeno. Imagina só que eles têm três milhões de população e São Paulo tem 20 milhões.

- Meu Deus! - disse assustada a senhora evangélica, percebendo que o pepino de Honduras tinha sobrado para o Brasil - O senhor não sabe que só na Marcha de Jesus tinha 5 milhões de pessoas?? - respondeu, com certo exagero.

Por: Maurício Moraes
Terça-feira , 22 de Setembro de 2009
E se os golpistas de Honduras atacarem a embaixada do Brasil? Caso de guerra, diz embaixador

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou na segunda (21) ao país centro-americano e buscou refúgio na embaixada brasileira. Segundo o Itamaraty, o embaixador brasileiro foi pego de supresa. Mentira ou verdade, o Brasil foi colocado no centro da confusão hondurenha. O governo golpista de Roberto Michelleti já nos acusou de intervir em assuntos internos do país e ameaçou invadir a embaixada.

E se o governo golpista de Honduras atacar a representação brasileira?

- "Se o Brasil fosse vizinho de Honduras era caso de guerra. Com a distância que temos, é preciso mobilizar a ONU e a Organização dos Estados Americanos. Embaixada brasileira é território brasileiro", explicou o embaixador Affonso Arinos, no programa Estudio i, da Globo News.

Em Nova York, à espera da Assembleia Geral da ONU, o chanceler Celso Amorim já informou que irá convocar o Conselho de Segurança, justamente para discutir essa possibilidade e qual a resposta adequada. Mais tarde, os golpistas disseram que não vão invadir a embaixada.

Vamos ver como o Brasil, que quer liderar a América Latina, se sai dessa enrascada.

Por: Maurício Moraes
Segunda-feira , 21 de Setembro de 2009
Romance de D'Estaing fala sobre caso de amor entre presidente francês e princesa inglesa - ficção?

Doze anos após sua morte, Diana continua sob os holofotes da imprensa britânica, alavancando a venda dos tablóides e revistas de fofoca. Nos próximos dias, ela também será, indiretamente, a garota propaganda do livro "A princesa e o presidente", escrito pelo ex-chefe de Estado francês Valéry Giscard d'Estaing (foto). Diana não é personagem do romance, mas a história de um presidente francês que se apaixona por uma princesa britânica já levanta especulações se a trama é ficção ou realidade.

Nao livro, um presidente francês de idade avançada, que ganhou o nome de Jacques-Henri Lambertye, conhece e se encanta com uma tal princesa Patricia, depois de um jantar diplomático no Palácio de Buckingham, a sede da monarquia britânica. Sua alteza Lady Pat estava com o casamento em ruínas e trabalhava com crianças vítimas da Aids, além de lutar pelo fim das minas terrestres. Coincidência ou não, a vida do personagem se confunde com a de Diana.

Giscard d'Estaing deixou a presidência francesa em 1981, ano em que Diana se casou com Charles. Mesmo assim, o chefe de Estado francês se encontrou com a princesa de Gales em diversas ocasiões.
 
Ficção ou realidade?
 
Segundo reportagem do Guardian, a epígrafe do livro diz: "Promessa mantida". Em um ponto da narrativa, a tal princesa Pat fala ao seu amante presidente: "Você me pediu permissão para escrever sua história. Eu te dou, mas você precisa manter uma promessa...".

Como o livro ainda não foi lançado, vamos esperar as cenas do próximo capítulo.

Por: Maurício Moraes
Sexta-feira , 18 de Setembro de 2009
Urbanismo malufista de Serra é vanguarda do atraso

O governador José Serra teve um ataque de caipirice e resolveu fazer a mais nova e grandiosa obra da cidade - a Nova Marginal, de estilo urbanismo malufista, um tipo arquitetônico e estético muito difundido na cidade de São Paulo. Um dos vários exemplos dessa escola vanguardista do urbanismo brasileiro é o belo minhocão (Elevado Artur da Cosa e Silva - aff!), que liga as zonas leste e oeste da capital.

Serra vai cortar algumas não seis quantas mil árvores. O número não é lá muito alto, mas a questão não é quantas árvores vão morrer, mas quantas outras poderiam nascer no espaço que vai sumir sob o asfalto e o trânsito pesado das três novas pistas da Nova Marginal (isso sem falar da impermeabilização do solo, que causa enchentes - veja foto). Engraçado é que até agora a "maior obra viária do país" era o Rodoanel, planejado supostamente para diminuir o trânsito nas marginais... (hum...). 

A questão principal nem são as árvores em si. As poucas que tentam vingar naquele ambiente inóspito rodeado de barulho, ar sujo e rio fedorento serviriam, ao menos, para esconder a feiúra da cidade. Quem anda pelo Tietê percebeu a vista linnnda que se tem... É de chorar.... Deixassem as pobres árvores crescerem nem que fosse como desculpa estética...

O projeto da Nova Marginal é de um conservadorismo caipira - o governador está parecendo mais um prefeito de Araçoiaba da Serra do que um acadêmico que foi ministro e quer ser presidente da República. Serra não percebe que a cidade não tem mais espaço para carros? Simples assim... A vaca não dá mais leite, a fonte secou...

São Paulo precisa de uma política de circulação sob todos os aspectos. Mas só faz política viária, para dar mais pistas aos carros.  É irônico porque a propaganda diz: "É para SP não parar"... ora, ora.... Há quanto tempo SP parou? Eles não perceberam? Já não ficaram presos por no mínimo duas horas num congestionamento qualquer?

Se quer investir dinheiro nos domínios de seu compadre Gilberto Kassab, o governador paulista bem poderia financiar outras políticas de circulação na cidade. Como eles querem que a pessoa largue o carro, pegue o transporte público e ande? Além do ônibus e do metrô cheio, o cidadão tem de enfrentar calçadas esburacadas e horrorosas, sem nenhum padrão, motoristas mal educados que passam em cima do pedestre que atravessa a faixa. É só fazendo com que a pessoa ache agradável andar nas calçadas e aprecie a cidade que se convence ela a usar mais o transporte público e fazer sua vida menos árdua e caótica.

Aí vem Dona Soninha, vereadora licenciada e subprefeita da Lapa, que sempre falou de sustentabilidade, defender seu novo chefe soltando a seguinte lorota:

"E o plantio [das árvores de reposição] será nas 8 Subprfeituras que dão "frente" para a Marginal. Cada uma receberá cerca de 10 mil árvores - e é até difícil achar área pública para tanta árvore". Claro né, Soninha. É a mesma política de abrir pista onde não tem espaço e enfiar coisa onde não cabe.

A dupla demotucana poderia pensar em políticas modernas como a de Seul, na Coreia do Sul (foto), que implodiu sua marginal para resgatar o rio (o Brasil não é um poderoso BRIC agora..??). Mas Serra-Kassab mantêm a tradição do velho estilo urbanistico malufista, que muda o curso dos rios, canaliza córregos, constrói um viaduto sobre uma avenida tradicional e causa uma infecção urbanística no entorno... Pois é, meu caros... Eis a vanguarda do atraso.

Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 17 de Setembro de 2009
Livro de Chirac é embargado por causa do cigarro

A histeria anti-tabagista chegou a tal ponto que a publicação da biografia de Jacques Chirac foi adiada porque o ex-presidente francês aparecia, todo charmoso, segurando um cigarro na capa do livro.

A foto em questão foi tirada em 1980, mas sofreu objeção de assessores do político francês. Naqueles anos, sobretudo nos anteriores, não havia nenhum demérito em portar um cigarro ou fumar em público - pelo contrário, era até algo chique. O blog aqui não faz apologia ao fumo, mas a patrulha anti-tabagista exagerou e está dando inveja a Joseph McCarthy, que desencadeou uma caça às bruxas aos esquerdistas americanos no anos 1940 e 1950. Ah se o Serra se inspira nessa última história...

Outra vítima francesa é o ator Alain Delon, cuja cigarro lhe foi retirado dos dedos numa publicidade da Dior, que usa uma foto do galã nos anos 1960, fumando, obviamente.

Charles Bremer, em seu blog no Times, conta que "o bon vivant Chirac, 76, parou de aparecer em público com cigarros em 1988 e fez da pesquisa de câncer uma de suas prioridades. Sua presidência acabou com o fumo em lugares públicos. Nicolas Sarkozy, seu sucessor, fuma em ambientes privados e degusta, diariamente, um charuto cubano no Palácio do Eliseu - mas nunca toca álcool".

Bem, quanto ao ponto alcoólico há controvérsias, tanto que um dos vídeos mais vistos de Sarkozy no Youtube é justamente aquele em que ele aparece supostamente bêbado numa coletiva de imprensa do G8. Segue o vídeo, como aperitivo:

 

Por: Maurício Moraes